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A falência da industrial cultural


Nos últimos anos temos presenciado uma derrocada da indústria da cultura como conhecemos. Uma vez que nada se cria nem se transforma e muito menos se recicla, fica difícil de imaginar um futuro onde a ordem da vez é repetir o passado com a ideia primordial de dizer que se faz uma “releitura”.
Uma vez, ao ver o motivo do diretor do programa “Prêmio Multishow” ter se demitido me fez pensar no quanto precisamos ser mais críticos e menos manipulativos. A razão de bandas como Cine, Restart e outras fazerem sucesso é um somente: fórmula pronta.
Como resultado, temos sempre as mesmas coisas e as premiações, que deveriam se focar em músicos realmente talentosos e inovadores, acabam servindo como reforço para as pessoas engolirem sempre as mesmas porcarias aditivadas que todas as gravadoras empurram a você e a todos nós.
Ver um prêmio da MTV onde a Lady Gaga, que chama mais atenção pelas excentricidades do que pela qualidade de suas obras, ganha é de embrulhar o estomago e dar ulcerações fortíssimas no cérebro. É a corroboração de que não ter o que dizer e causar polêmica apenas por um sensacionalismo midiático é querer ser enganado e ficar feliz com isto. É querer dar um significado e uma dialética àquilo que não tem e querer um valor numa coisa cujo propósito é vender uma imagem.
Placebo cultural é o que vendem a todos nós. Só que ele não cura, de forma alguma, nosso vazio.

Pequena Homenagem ao mestre Dio


 Bem, eu não podia deixar de colocar uma nota sobre o falecimento desse grande nome da música.
Ronnie James Dio é um dos nomes do heavy metal – fica impossível imaginar o estilo sem a voz e o carisma desse homem, que tanto deu ao mundo e contribuiu com seus excelentes trabalhos em todas as bandas. É muito triste pensar que ele foi o herói de infância de muita gente e um dos artistas que eu admirei. Sem ele o metal fica um pouco mais cinzento e sombrio.
Vamos aos fatos, você faz falta, Dio. Sim, a muita gente você faz falta. Até mesmo porque sabemos hoje que nunca mais poderemos ouvir sua voz em nenhuma apresentação, nenhum trabalho novo, nada. Apenas um vazio que sua obra pode preencher. Pois morreu o homem e nasceu, de vez, a lenda.
Quero desejar, em nome de toda a equipe do podcast e da rádio MG, felicidades ao grande mestre que influenciou e influencia até hoje muita gente.

Caçando Mitos 1: A letra é importante?

Um dos aspectos mais discutidos quando se pensa em música é na importância de seus elementos desmembrados, seja nos aspectos da produção musical ou na formação estética da música. Bem, o assunto em voga aqui é a estética mesmo.


Será que, para uma música ser considerada boa, ela tem de ter uma letra também boa?

Será que uma música não pode ser boa e apresentar uma letra mal escrita, boba e sem nexo ou até mesmo não ter letra? É o que discutiremos a seguir, até desmentindo alguns equívocos tidos como verdade.



- A letra da música também define seu estilo.


Certo e errado. É possível dizer que certa banda ou música pertence a este ou aquele estilo ao comparar traços estéticos do estilo em si e da música ou banda que se deseja classificar. Vamos tomar como exemplo o estilo Hard Rock. Este é assim denominado por conta do diferencial existente entre as bandas assim classificadas em relação às bandas que tocavam o chamado Rock ‘n’ Roll. O aspecto que justifica a adição do termo Hard (duro) se dá ao emprego freqüente de sons distorcidos de guitarra. A temática das letras pouco importa, até porque são similares entre estes dois estilos. Da mesma forma, o Rock Progressivo não recebe esta denominação por conta de assuntos abordados em suas músicas e sim por conta da busca por certa sofisticação da sonoridade, baseada em um extremo esmero e estudo na execução dos instrumentos. Nem preciso citar que um dos requisitos para se tocar Black Metal nunca foi e nem será ter letras satânicas, anti-cristãs, que denunciem as formas organizadas de religião ou qualquer patacoada neste sentido.


Apesar do que foi dito anteriormente, alguns estilos podem sim ser definidos por conta do tipo de letra, não estou aqui discutindo qualidade. São os casos do Viking Metal e do White Metal. Ambos tem relação intrínseca com o Black Metal. Enquanto o primeiro é influenciado também pelo Death Metal e, como o Folk Metal, tem como tema a mitologia nórdica, o segundo nada mais é que um Black Metal Cristão, claro que nisso eu me refiro aos traços musicais além da letra. Bem, vamos em frente.


- Música Boa tem de ser acompanhada de uma letra boa.


Bem, apesar de isso ser bem complexo, porque corremos o risco de entrar no subjetivismo, no gosto pessoal, isto também não é verdade. Primeiramente, são infindáveis as letras de músicas repletas de erros gramaticais, independentemente da língua em que foram escritas. Aí somamos as frases feitas (que não são bem aceitas em NENHUM tipo de texto formal ou literário), as rimas pobres (rimas entre palavras de mesma função) os erros crassos e corriqueiros do dia-a-dia (Vícios de linguagem, erros de concordância diversos). São pessoas normais que escrevem da mesma forma que falam em algumas oportunidades e até da forma que não falam, quando pensamos em artistas cujas letras não são escritas em suas línguas nativas. Neste caso, os erros costumam ser recorrentes e mais graves ainda.


Tirando os eventuais erros, propositais ou não, temos também as letras com idéias triviais e sem qualquer nexo. Ou a letra de Paranoid, clássico incontestável do Black Sabbath, pode ser descrita como exemplo de texto bem escrito e de qualidade indubitável? O que dizer então das composições dos finlandeses do The 69 Eyes, como a canção Juicy Lucy? São precisos mais exemplos neste caso, pois nenhum destes é exceção e encontramos coisas até moralmente condenáveis em letras de músicas. Mas isso não tira o valor da composição musical, esteticamente falando.


Devemos lembrar também da Música Instrumental, neste caso falando de modo genérico pois são diversos estilos que tem artistas que compõem canções sem letras. Será que Day at the Beach, momento de inspiração pura do guitarrista estadunidense Joe Satriani, seria ruim por não ter letra ou teria um ganho de qualidade se houvessem frases sendo entoadas ao longo do two-handed tapping empregado pelo músico durante a execução desta faixa? E o que falar então de Stanley Jordan, com sua touching technique e suas composições que tem como objetivo a ajuda na reabilitação física de uma pessoa através da música, a chamada Musicoterapia.



É por estas e outras que não me preocupo muito com as letras das músicas, até porque o que nos chama atenção numa música foge ao que cerne o raciocínio lógico, às vezes até o consciente. Contagiamos-nos pelo ritmo, somos tocados pela melodia, ficamos extasiados após aquele solo ou ficamos alucinados ao ouvirmos aquele riff de guitarra. Ninguém realmente “pensa” algo assim, apenas sente e nem consegue explicar muitas vezes, somente deixa que este sentimento o guie. Afinal, se letra fosse realmente importante, como seria possível um japonês ouvir e gostar de Rammstein, por exemplo? Como justificar o fascínio que alguns ocidentais têm pelo chamado J-Pop? E, por último, mas não menos importante, acreditar nesta premissa errônea seria desvalorizar totalmente obras imortais e incólumes da Música Clássica, como as obras de Bach, Chopin, Paganini e outros gênios.

O Canto

A música quebra barreiras. Dizem até que ela tem poder de cura. Mas sempre existem alguns tipos de conceitos errados que são pré-estabelecidos no que cerne à produção musical e seus agentes. Existe hoje uma infinidade de modos de se fazer música, tanto no que diz respeito ao modo de se fazer: seja só, seja com um grupo de amigos do bairro em uma garagem, seja de modo colaborativo através de recursos tecnológicos, como montar uma banda pela internet, onde cada integrante está a vários quilometros de distância do outro, seja também na forma de se fazer: música instrumental, música com diversos instrumentos, música com poucos instrumentos, etc. Venho propor uma discussão acerca de um agente importante na produção musical: o vocalista ou cantor se preferir.

Na verdade eu prefiro vocalista pois tenho como foco o contexto de banda, onde todos são importantes e estão, em tese, no mesmo nível hierárquico. O que quero dizer com isso? Quero me ater naquela banda, seja aquela de garagem que está começando agora e seus membros púberes mal tocam seus instrumentos, seja aquela que já rodou o mundo e colhe os frutos do sucesso. O vocalista é visto muitas vezes como o cara que quer atenção, o mais desembaraçado. Até pode parecer verdade se pensarmos que é preciso ter muita coragem para, dependendo única e exclusivamente daquilo que nasceu com você, se expor em frente a vários desconhecidos, mas existem alguns aspectos que tanto mostram que isso não é necessidade de aparecer e que conseguir cantar aquela música e contagiar a platéia que está a sua frente é, além de fruto de muito trabalho, algo extremamente admirável.
 
Eu tentei por um curto período de tempo ser também um vocalista, na verdade tentei como tantos unir essa qualidade com a minha perícia subdesenvolvida na arte de tocar guitarra. Eu aprendi muita coisa, que o jeito que falamos normalmente além de ser errado é demasiadamente nocivo às nossas pregas vocais, isso mesmo, eu não disse cordas, são chamadas de pregas mesmo. Isso acontece porque quando falamos deveríamos ter uma postura diferente, com apoio do nosso diafragma para projetarmos nossa voz e nas pregas vocais apenas fazermos a modulação da voz. Como assim? Bem, o diafragma deveria servir de base para nossos pulmões quando falamos, empurrando assim o ar dos pulmões esvaziando-os. Mas o que isso importa? É algo como aprender a digitar escalas na guitarra, correto? Não é bem assim. Aí entra a outra análise que eu disse no início: empostar sua voz, utilizando o diafragma como apoio e conseguir projetar sua voz é uma das coisas mais difíceis que existe. Basicamente é assim porque envolve algo que você faz errado desde tempos remotos, respirar. Não é algo novo que você pratica e depois de algum tempo domina. É como o fumante que tenta parar, você já tem um hábito arraigado em seu subconsciente e, a não ser que se esforce e se concentre decididamente, não conseguirá nunca mudar esse hábito. Agora imagine ter de se concentrar, ter foco suficiente para ignorar o que está a sua volta, mudar o funcionamento "normal" que seu corpo está acostumado desde a infância e ainda ter de lembrar a letra. Complicado, não é? Um vocalista tem de estar totalmente confiante em sua capacidade para que possa desempenhar bem sua função. Senão fica igual uma pessoa tímida, sussurrando com medo. Isso acontece porque sem confiança a concentração vai por água abaixo. Depois de dominar a forma de respirar corretamente e usar o ar dos pulmões para projetar sua voz em vez de sua garganta, vem a parte interessante.


Podemos dizer que a música tem algumas divisões ao pensarmos nas funções de cada instrumento: a bateria é o coração, ditando o ritmo, a "pulsação" de determinada canção. O baixo dita o contorno, a moldura da música quando em conjunto com a bateria. É o esqueleto da música. A guitarra é a alma da música, o tempero. Finalizando, a voz é a parte racional, o cérebro da música, pois é o agente que expressa as idéias do compositor. Nada mais decepcionante do que ouvir aquele som que lhe toca de forma especial e, ao prestar atenção na letra, ver que se trata de algo banal ou mesmo idiota. Sem contar no tipo de vocal necessário para cada música. Não tem como fazer uma balada sobre amor, por exemplo, utilizando vocais guturais. Da mesma forma ficaria estranho usar uma cantora lírica para esbravejar furiosamente e contestar o atual modelo social. Apesar de existirem inúmeras músicas instrumentais de imensa qualidade e que até conseguem nos fazer sentir algo próximo do que o compositor tinha intenção, através das palavras conseguimos chegar a esse resultado de modo mais ágil e de forma a reduzir as falhas nesse aspecto, como a questão interpretativa individual. Eu posso ouvir uma música lenta e pensar em amor como outro pode ouvir a mesma música e pensar em morte. É o tipo de coisa que nem sempre é interessante para o artista pois diverge de sua mensagem inicial.

Como dito antes, pode-se atribuir à música várias características e várias reações que ela provoca no ouvinte. Pode emocionar, indignar ou simplesmente proporcionar alguns momentos de diversão. Todos os instrumentos são importantes na junção musical e cabe ao vocalista a difícil missão de dar à banda uma cara, de ser uma espécie de interface para a interação entre banda e público. Ele deve passar a mensagem da música da forma que foi pensada quando composta e fazer o público receber essa mensagem. Por isso usa-se para estes integrantes o termo também de frontman ou frontwoman, tal qual uma unidade de infantaria num exército, cabe ao cantor a missão de derrubar a barreira inicial gerada pela expectativa e conseguir contagiar a audiência. Isso só é possível após muito trabalho duro e com a devida preparação emocional para aquele momento. Pois não há nada pior do que chegar na hora H e não conseguir atingir as notas adequadas por não conseguir se concentrar na respiração ou por esquecer a letra.

 
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