Acompanhando o lançamento de seu novo disco Rotten Roma Casino, os italianos lançaram o clipe da música "Darkroom Friendship".
Neste vídeo podemos conferir uma sonoridade bem interessante do grupo e cenas de insinuação de uma orgia.
Confira o novo clipe do Spiritual Front
Novo disco do Opera Multi Steel em breve!!!!
Uma noticia maravilhosa para os fãs dos franceses do Opera Multi Steel. Será lançado, em breve, o disco La Légende Doré, que conta com doze faixas inéditass, marcando o retorno dos grandes mestres do darkwave francês.
Para tornar este disco ainda mais especial, foram usados durante a gravação os mesmos instrumentos presentes no disco Cathedrále, outro grande clássico do grupo.
O selo Wave Records está fazendo uma promoção para o lançamento, onde você pode comprar três versões em pré-order do disco, que são as seguintes:
cd digipack luxo (30 reais incluindo correio)
cd digipack ltd edition com cd bônus e 4 postais(R$ 45,00 com correio)
Box limitado em 50 cópias trazendo cd ltd edition + Postais / T-shirt / 2 Bottoms / 1 Poster / 1 Postal Autografado e Mochila Personalizada( R$ 120,00 com correio).
Mais informações no link do selo.
Groundcast 01
Então o podcast ressurge das cinzas com uma nova proposta e um novo formato. Sim, este é o novo e mais poderoso podcast feito pela equipe e atende pelo nome de Groundcast.
Ele não tem mais um formato de programa de rádio, mas sim um programa voltado a discussões musicais, com muito bom humor e descontração. Por isto acompanhem.
Neste programa Fallen Archangel, fatherofpain, Anna Kamehama, André Kamehama, L.O.S. e linelefay discutem sobre pirataria e distribuição de conteúdo.
Contato: telperion_pendragon@yahoo.com.br
Vídeo sobre direitos autorais
Como funciona um contrato de gravação
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Fabio Melo
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Review: Die so Fluid - The World Is Too Big For One Lifetime
Não é à toa que o trio inglês Die so Fluid é uma das bandas que mais ganham nome no cenário rock/metal alternativo atual.
“The World Is Too Big For One Lifetime” é o terceiro álbum de estúdio e vem recheado de identidade. Os três instrumentos estão lá como antes e percebemos mais autonomia em cada um e que, ao mesmo tempo, soam como um conjunto bem mais harmônico do que nos trabalhos anteriores. Grog, a bela vocalista que está também na capa do disco apresenta um vocal mais trabalhado e melhor explorado do que anteriormente, sem perder o peso e a atitude “rebelde” que são marcas do seu trabalho.
O álbum tem alguns destaques. “Figurine“ abre muito bem o disco e mostra que, apesar de ser a mesma banda, algo novo vem por aí. “Mercury”, faixa escolhida como primeiro single, é todo o espírito do Die so Fluid com bateria muito marcada, longo solo de guitarra e uma rebeldia característica. “The World Is Too Big For One Lifetime” é o novo estilo no trabalho da banda e está muito bem representado por essa faixa. “Themis” mostra uma mistura inesperada de estilos e um vocal bem particular.
A belíssima faixa escondida do álbum talvez seja a maior surpresa (agora nem tanto porque sabe que ela existe). Grog canta acompanhada apenas por um piano e faz uma balada que é sonoramente diferente de todo o resto do álbum, parece saída de um filme sombrio de fantasia e de alguma forma combina muito com a banda.
Mais uma vez o Die so Fluid apresenta um trabalho que cresce em relação ao anterior . “The World Is Too Big For One Lifetime” além de ser a consolidação e renovação de estilo do trio, mostra uma banda madura que, muito provavelmente, só irá melhorar.
“The World Is Too Big For One Lifetime” é o terceiro álbum de estúdio e vem recheado de identidade. Os três instrumentos estão lá como antes e percebemos mais autonomia em cada um e que, ao mesmo tempo, soam como um conjunto bem mais harmônico do que nos trabalhos anteriores. Grog, a bela vocalista que está também na capa do disco apresenta um vocal mais trabalhado e melhor explorado do que anteriormente, sem perder o peso e a atitude “rebelde” que são marcas do seu trabalho.
O álbum tem alguns destaques. “Figurine“ abre muito bem o disco e mostra que, apesar de ser a mesma banda, algo novo vem por aí. “Mercury”, faixa escolhida como primeiro single, é todo o espírito do Die so Fluid com bateria muito marcada, longo solo de guitarra e uma rebeldia característica. “The World Is Too Big For One Lifetime” é o novo estilo no trabalho da banda e está muito bem representado por essa faixa. “Themis” mostra uma mistura inesperada de estilos e um vocal bem particular.
A belíssima faixa escondida do álbum talvez seja a maior surpresa (agora nem tanto porque sabe que ela existe). Grog canta acompanhada apenas por um piano e faz uma balada que é sonoramente diferente de todo o resto do álbum, parece saída de um filme sombrio de fantasia e de alguma forma combina muito com a banda.
Mais uma vez o Die so Fluid apresenta um trabalho que cresce em relação ao anterior . “The World Is Too Big For One Lifetime” além de ser a consolidação e renovação de estilo do trio, mostra uma banda madura que, muito provavelmente, só irá melhorar.
Entrevista Holiness
Sem dúvidas uma das mais gratas surpresas no nosso cenário musical é a banda gaúcha Holiness. Com uma sonoridade que não fica presa a uma estética mais dark e nem a vocalista se prende a clichês já consagrados. A vocalista Stéfanie Schirmbeck nos concedeu uma entrevista, que vocês verão a seguir.
MGPodcast: Bom, vamos começar a entrevista. Em primeiro lugar, por que do nome Holiness? O que ele representa para a banda?
Stéfanie Schirmbeck: Holiness significa "Santidade", para a banda não há relação com a religião, essa palavra nos remete à transcendência do ser humano no sentido de superação, somos seres que se elevam intelectualmente e emocionalmente quando se dedicam a algo, seja nas artes, ou na filosofia, por exemplo.
MGPodcast: Conte-nos um pouco da história do grupo. De onde surgiu o interesse em montar uma banda, ainda mais numa cidade sem nenhuma tradição com rock e metal.
Stéfanie Schirmbeck: O "embrião" da banda foi formado em 2006, quando Cris e eu começamos a namorar. Mais tarde, em 2008 resolvemos gravar em uma demo o material que tínhamos, mas tudo aquilo precisava de uma reciclada, por isso convidamos o irmão dele, Fabrício, para trabalhar nos arranjos das guitarras, e o Hércules para trabalhar nas linhas do baixo.Na verdade Erechim tinha uma cena metal muito boa nos anos 90, e alguns de nós viveu essa época tão legal, que hoje infelizmente não existe mais.
MGPodcast: Como vocês definem o som da banda?
Stéfanie Schirmbeck: Definimos como um Metal contemporâneo, que é uma mistura de influências e estilos, pode ser?
MGPodcast: Como é a cena do Rio Grande do Sul para este tipo de música?
Stéfanie Schirmbeck: O metal não é tão forte, puxa mais para o rock inglês, ainda mais na capital,mas existem bandas muito boas, que representam muito bem o metal gaúcho no país.
MGPodcast: Comente suas influências musicais tanto na parte de composição musical como na parte de ideias.
Stéfanie Schirmbeck: Toda a banda ouve muito heavy, progressivo, hard rock, gothic metal e até pop rock. Tudo isso influencia na nossa musicalidade.
Stéfanie Schirmbeck: Quanto às letras, gostamos de falar de dúvidas e angústias do dia a dia, dos obstáculos que enfrentamos e vencemos, enfim, coisas que todo mundo passa.
MGPodcast: Com o lançamento do disco BENEATH THE SURFACE, o grupo mostra que o cenário independente ainda é um local para excelentes ideias, contando com uma produção excepcional, muito acima da média. Como tem sido a aceitação deste disco?
Stéfanie Schirmbeck: Obrigada!!! O disco tem sido bem aceito, tanto pela mídia quanto pelo público, claro que como somos uma banda independente, às vezes enfrentamos alguns problemas como a distribuição, que no momento não chega a todos os estados do país, mas estamos muito satisfeitos com o retorno.
MGPodcast: E como se deu a produção deste primeiro disco?
Stéfanie Schirmbeck: O Cd foi gravado em um sítio no Rio Grande do Sul, o engenheiro de som foi Adair Daufembach e posteriormente foi mixado e masterizado na Alemanha pelo Tommy Newton, que já trabalhou com Helloween, Gamma Ray e Blind Guardian. Para nós foi como um sonho.
MGPodcast: Surgiu alguma proposta para o grupo nesse tempo?
Stéfanie Schirmbeck: Surgiu e ainda estão surgindo, à medida em que o nome da banda circula pelo mundo, mas nada que tenha sido concretizado, até pela crise da indústria fonográfica e decadência de selos menores É uma pena...
MGPodcast: Vocês têm contatos com outros grupos? Como que esses contatos ocorrem?
Stéfanie Schirmbeck: Sim, estão surgindo inclusive planos de fazer shows juntos, gostamos de conhecer outras bandas e aprender sempre. Agora em São Paulo isso está mais acelerado.
MGPodcast: Recentemente vocês se moveram para São Paulo, segundo consta uma entrevista no site Whiplash. Comentem as mudanças de ambiente, se elas foram boas e quais as expectativas que a banda tem.
Stéfanie Schirmbeck: Com certeza está sendo muito positivo, pois podemos ter contatos que antes não tínhamos, estudar e adquirir mais conhecimento como músicos e ampliar nossos horizontes. Em São Paulo é onde tudo acontece.
MGPodcast: Um ponto importante é lembrar que de uns seis anos para cá o número de bandas com mulheres assumindo a liderança ou pelo menos indo para o vocal tem crescido assustadoramente. Em diversos estilos temos a ascensão de gente como Alissa White-Gluz (THE AGONIST), Simone Simons (EPICA), Sara Noxx, além da revalorização de antigas musas, como a Doro. Mesmo assim o cenário musical, sobretudo dentro do metal/rock ainda é predominantemente masculino. Como você tem encarado esse mercado e como tem sido a repercussão do fato de uma mulher bonita estar à frente da banda?
Stéfanie Schirmbeck: Não posso reclamar!Acho que, apesar de hoje em dia ter muitas bandas com mulheres vocalistas, ainda assim é um diferencial, porém como houve outras antes abrindo caminho, tem um certo respeito que antigamente não havia. E não adianta só ser bonitinha.Tem que ter competência, senão você vira piada.
MGPodcast: Ainda no tema da outra pergunta, muitas destas vocalistas se tornam símbolos para os fãs e modelos para as meninas, como acontece com a Tarja Turunen e mesmo a Simone Simons. Você tem algum receio de se tornar referência para os seus fãs?Stéfanie Schirmbeck: Acho que não, pois me tornei vocalista admirando outras mulheres. Não tem problema você se espelhar em alguém, desde que você não vire cópia dessa pessoa e tenha suas próprias ideias.
MGPodcast: Uma coisa que tem acontecido ultimamente é as bandas que tem vocalistas femininas adotarem um visual mais sombrio, quase romântico. No caso da banda, o visual é mais comum e mais sóbrio. Existe alguma motivação especial para isto?
Stéfanie Schirmbeck: Sim, existe. Legal você ter notado isso!! Como nossas letras não falam de castelos ou de fadas, e sim de coisas reais, por que não nos aproximarmos da realidade também visualmente?
MGPodcast: Dentro da cena metal existe um certo conservadorismo, onde os fãs muitas vezes rejeitam bandas que estejam no mainstream ou mesmo que mudem radicalmente o som, colocando elementos “proibidos”, como música eletrônica, por exemplo. Como vocês encaram esta questão?
Stéfanie Schirmbeck: Não creio que tenha importância, se o resultado final for consistente e agregar, sou totalmente a favor. Sou contra a banda soar "plastificada", totalmente sem identidade para poder vender. O fã de metal sente quando isso acontece.
MGPodcast: Quais são os planos para o futuro?
Stéfanie Schirmbeck: Agora que estamos em São Paulo, queremos fazer muitos shows pelo Sudeste e depois pelo Brasil.Nossa maior preocupação agora são os shows.
MGPodcast: Agora encerrando a entrevista, deixe uma mensagem para os fãs.
Stéfanie Schirmbeck: Gostaria de agradecer o apoio de todos e pedir que assistam aos shows da Holiness! Agora em São Paulo tocaremos dia 15/07 no Café Aurora. Esperamos vocês lá!
Solemn Novena - Kiss The Girls
O que dizer de um disco que, sem sombra de dúvidas, pode ser o lançamento do ano no meio gótico?
Vamos recapitular um pouco sobre o Solemn Novena. Esse grupo inglês ainda era pouco conhecido. embora tivessem já alguns bons discos. E é com o Kiss the Girls que sabemos, de fato, como a banda vai ser, sem nenhuma modéstia, uma das melhores da nova safra.
Gothic rock não permite inovação? Não pode ter um instrumental trabalhado? Vai ser sempre carregado e depressivo? Aqui vemos que não.
É um trabalho que é, ao mesmo tempo, gótico e rock’n’roll. Mas nada pesadão estilo The 69 Eyes: aqui o som é sóbrio, com boas partes de guitarra e bateria, coisa muito rara. Lembra um pouco o The Cult e o Love Like Blood mesclados numa atmosfera e sonoridade contagiantes.
Não ouviu ainda? O que está esperando? Corra atrás, é recomendado, sobretudo pelas músicas Silver e Trick or Treat.
Pequena Homenagem ao mestre Dio
Bem, eu não podia deixar de colocar uma nota sobre o falecimento desse grande nome da música.
Ronnie James Dio é um dos nomes do heavy metal – fica impossível imaginar o estilo sem a voz e o carisma desse homem, que tanto deu ao mundo e contribuiu com seus excelentes trabalhos em todas as bandas. É muito triste pensar que ele foi o herói de infância de muita gente e um dos artistas que eu admirei. Sem ele o metal fica um pouco mais cinzento e sombrio.
Vamos aos fatos, você faz falta, Dio. Sim, a muita gente você faz falta. Até mesmo porque sabemos hoje que nunca mais poderemos ouvir sua voz em nenhuma apresentação, nenhum trabalho novo, nada. Apenas um vazio que sua obra pode preencher. Pois morreu o homem e nasceu, de vez, a lenda.
Quero desejar, em nome de toda a equipe do podcast e da rádio MG, felicidades ao grande mestre que influenciou e influencia até hoje muita gente.
Martial Industrial – O militarismo industrial revivendo as raízes do povo europeu
Uma coisa é certa: o teor militar faz parte da cultura do povo europeu e toda a arte que faz referência a isso sempre vai mexer no passado guerreiro de boa parte do velho continente. Tanto que é muito comum bandas que adotem uma temática visual ligado ao exército sempre chamam a atenção, como acontece com alguns grupos de rock/metal industrial (Deathstars, Laibach, Rammstein, KMFDM etc.) por justamente evocarem, por meio da imagem, o passado que para nós não parece tão glorioso.
O industrial surgiu em meados dos anos 80, com a banda Throbbing Gristle, que abraçava diversas imagens e filosofias contraculturais, como o ocultismo e até mesmo o militarismo. Músicas como Zyclon B Zombie e a Discipline usam de humor negro para falar de temas controversos. Tanto que até hoje a banda é polêmica em todos os sentidos.
Só que quando o estilo criado por Genesis P-Orridge se transformou em outros. O que era controverso ficou facetado e multiplicado por uma série de estilos, alguns menos populares, como o Noise e o Power Electronics e outros muito populares, como o EBM e o Power Noise. Todos eles trabalharam algum aspecto que inicialmente era contracultural e polêmico, sendo que alguns levaram isso a extremos. Dentro desses estilos surgiu o neofolk, que era voltado ao paganismo e a tradição da antiga Europa. Dele veio um estilo que, mesmo carecendo de uma identidade concreta, ainda sim se firmou como um dos grandes nomes do post-industrial: o Martial Industrial, também conhecido como Military Pop.
Origens: Música marcial e neofolk
A música com propósitos militares existe há séculos na história da humanidade. Seu objetivo era levantar o espírito de combate dos soldados, reforçar a união e a disciplina e também, em alguns casos, intimidar o inimigo.
Constitui um gênero que possui evolução própria, com canções que evocam os hinos nacionais e mostram o poder do homem perante o seu adversário. Tem como instrumentos predominantes a percussão, a gaita de foles e o trompete. Há variantes de músicas que utilizam instrumentos de fanfarra, chifres e outros, mas a base é essa.
Dentro do contexto pós-industrial o neofolk se pautou em ser, num primeiro momento, anti-política e anti-cristianismo, usando elementos tirados do folclore pagão europeu, do nazismo (numa espécie de redescoberta da simbologia expressa por meio dos ícones usados em uniformes, sem fazer uma apologia ao regime) e até mesmo com base em escritores como Julius Evola[2] (que tem uma obra calcada no neopaganismo e que é de extrema importância para muitos grupos, como o Sol Invictus). O filósofo italiano se baseia em aspectos do fascismo para justificar a derrubada do cristianismo da sociedade moderna (mesmo ele sendo contrário ao regime, tendo vivido durante sua vigência na Itália da Segunda Guerra Mundial). Ele possuía um tom totalmente antimodernismo, cuja influência de Rudolf Steiner[3] e das teorias teosóficas[4] fez com que ele começasse o que se convencionou de neofascismo, que fugia do estado estático do fascismo, colocando que a elite deveria voltar aos valores tradicionais da sociedade.
Só que outro grupo mudaria os rumos de tudo isso, retornando ao que o post-industrial, de fato, deveria ser...
O termo Military Pop e o Martial Industrial
Gerhard Petak, criador do projeto austríaco de um homem só Allerseelen e participante do projeto de ritual industrial Zero Kama, certa vez definiu que a sonoridade do seu projeto solo estava mais próxima do som ambiente e das influências da música militar. Daí cunhou o termo military pop, que para algumas revistas e sites passou a ser também chamado de Martial Industrial, uma vez que guardava muitas semelhanças com a sonoridade experimental.
Allerseelen significa “Todas as almas” em alemão e tem como influências os pensamentos de Friedrich Nietzsche, Ernst Jünger[5], Carl Jung e Julius Evola. Isso torna o projeto voltado quase que para uma atmosfera caótica permeada por imagens decadentes do povo europeu, com ideais de reconstrução da identidade europeia.
Um último grupo, o Laibach, também vai contribuir muito com a parte visual e sonora. Seus primeiros discos e letras que não tinha como objetivo o nacionalismo, mas sim o militarismo puro e descontextualizado, que quebrava mais uma barreira e começava a dar mais forma à parte temática do martial industrial.
A ideologia extrema e a simbologia esotérica
A grande dificuldade das pessoas de fora do circuito é entender que não existe, de fato, apologia ao neofascismo ou mesmo ao nazismo nas letras e nas posturas do gênero. Fica difícil explicar como a música We Walked in Line, do grupo alemão Von Thronstahl não faz nenhuma espécie de propaganda ao regime nazista. Então, como as bandas do martial industrial conseguem dizer algo que é contrário a toda parte imagética e temática de suas composições?
Uma primeira coisa é que temos de pensar que esses grupos usam, acima de tudo, da parte simbólica do militarismo. O objetivo é mostrar a decadência da Europa por conta da multi-culturalização e a perda gradativa da identidade. Isso também se aplica aos descendentes diretos destes povos que morem em outros países. É algo que ao mesmo tempo flerta e vai contra os movimentos como o RAC[6] e o White Power[7] uma vez que concordam com a volta de uma pureza cultural e vão contra o racismo, o preconceito e a discriminação. São ao mesmo tempo contra a miscigenação e a superficialização de toda uma história ancestral de lutas e conquistas.
O lado esotérico aparece pela ideia de Europa mítica, heroica, valente, onde todos os povos que lutaram e prosperaram conseguiram impor a sua força pela vontade. E com a perda desse continente, onde todos se uniriam numa única bandeira, é o tema visual das capas de alguns grupos de neofolk/martial industrial, como por exemplo o Darkwood e o Foresta di Ferro.
Tudo isso, contudo, gerou uma série de problemas. Diversos países proibiram e ainda proíbem apresentações e vendas de discos de grupos cuja temática seja próxima da do martial industrial. Tanto que em certas regiões da Alemanha, por exemplo, é muito fácil encontrar um disco do Rammstein, mas é quase impossível achar alguma coisa do H.E.R.R. ou mesmo do Darkwood;
Sonoridade
Talvez a primeira característica seja a percussão. É um traço presente em boa parte dos grupos, como o Triarii, o Arditi, o Rome, entre outros. Entre outras existem o uso do neoclássico (até mesmo pelas influências da música erudita com temática militar), o dark ambient, industrial e o uso de marchas militares, seja como base, seja como elemento da própria composição musical. O uso de melodias folclóricas também acontece, até mesmo por conta do próprio neofolk.
As músicas tendem a se assemelharem a alguma trilha sonora de filme de guerra, com diversos climas atmosféricos e sombrios.
Concluindo
Sim, é muito complicado falar desse ramo do post-industrial. Seja pelas controvérsias de sua parte ideológica, seja pelos elementos muitas vezes mal interpretados ou até mesmo pelo lado controverso adotado como postura, o importante é perceber o quanto esse estilo ainda precisa de uma desmitificação e de maior compreensão para que possa, quem sabe, ser apreciado.
1 Foi um Estado que existiu entre 1299 e 1922 e que no seu auge compreendia a Anatólia, o Médio Oriente, parte do norte de África e do sudeste europeu. Foi estabelecido por uma tribo de turcos oguzes no oeste da Anatólia e era governado pela dinastia Osmanl?. Era por vezes referida em círculos diplomáticos como a da "Sublime Porta" ou simplesmente como "a Porta", devido à cerimônia de acolhimento com que o sultão agraciava os embaixadores à entrada do palácio.
2 Julius Evola (Roma, 19 de maio de 1898 - 11 de maio de 1974), cujo verdadeiro nome era Giulio Cesare Evola, foi um filósofo italiano do século XX, em cuja obra neopagã se têm inspirado várias organismos e correntes políticas do fascismo.
3 Rudolf Steiner (Kraljevec, fronteira austro-húngara, 27 de Fevereiro de 1861 — Dornach, Suíça, 30 de Março de 1925) foi filósofo, educador, artista e esoterista. Foi fundador da Antroposofia, da Pedagogia Waldorf, da agricultura biodinâmica, da medicina antroposófica e da Euritimia, está última criada em conjunto com a colaboração de sua esposa, Marie Steiner-von Sivers.
Pode-se resumir a Antroposofia de Steiner como um modo de alcance de um conhecimento supra-sensível da realidade do mundo e do destino humano. Mas, o conteúdo desse resumo é complexo e remete a um estudo de extremas profundidade e disciplina, aliadas a um método de exercícios metódicos precisos, com o intuito de revelar no homem o divino que neste reside adormecido. A Antroposofia, o corpo de conceitos derivados da Ciência Espiritual, coloca o Antrophós (Homem) como participante efetivo do mundo espiritual através de seus corpos superiores, tornando assim evidente no mesmo o conceito do Theós (Deus).
4 Teosofia: 1. Filos. Conjunto de doutrinas religioso-filosóficas que têm por objeto a união do homem com a divindade, mediante a elevação progressiva do espírito até à iluminação. 2. Rel. Doutrina espiritualista iniciada por Helena Petrovna Blavatsk (1831-1891), mística russa, ligada ao budismo e ao lamaísmo.
5 Filósofo alemão cuja obra sempre fez fortes críticas ao regime nazista.
6 RAC (Rock Against Communism ou RACionalism) significa Rock Contra o Comunismo e é um movimento musical que contem letras de ideologia política que, apesar de seu nome confrontar-se diretamente ao comunismo, as suas musicas raramente são focadas no mesmo. O conteúdo das letras do RAC expressa assuntos como nacionalismo, neonazismo e temas contra o sionismo e quem as aprecia são normalmente são pessoas com princípios do Nacional Socialismo, não se tratando de uma regra geral. O RAC é compreendido em sua principal parte, em estilos musicais semelhantes a oi!, punk rock, metal, southern rock, rock and roll entre outros. Uma das bandas que se tornaram marco dentro da história do RAC foi Skrewdriver, formada em 1977 na Inglaterra, por Ian Stuart Donaldson. O motivo por ela ter despertado tanta atenção foi o fato de suas letras serem escritas com um teor fortemente conservador, referindo-se diretamente ao Nacional Socialismo. Suas músicas foram tão reconhecidas no meio Neonazista que mereceram bandas quase que exclusivamente dedicam-se a seu tributo, como a banda sueca Saga.
7 White Power ("poder branco" em inglês) é um slogan político que descreve a ideologia daqueles que apóiam diferentes níveis de nacionalismo branco-separatista, onde a gestão política das pessoas brancas seria feita por pessoas também brancas.
White Power foi uma frase política cunhada pelo líder do Partido Nazista Americano, George Lincoln Rockwell, em um debate com o pantera negra Stokley Carmichael, que fez um chamado para um "poder negro" (Black Power). White Power se tornou o nome do jornal do partido e o título de um dos livros de Rockwell. Atualmente muitas facções racistas como suprematistas brancos, separatistas brancos, nacionalistas brancos, cristãos brancos e neonazistas usam o termo White Power.
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As seis bandas góticas mais influentes
Eu tenho certeza que essa lista vai ser controversa para muita gente. Até aceito a hipótese que vários irão contestá-la. Contudo também penso que vai ser uma forma de as pessoas conhecerem material novo e, acima de tudo, grupos novos com sonoridades que vão aparecendo em diversas bandas ao longo dos anos.
DIARY OF DREAMS
Falar em darkwave hoje é falar desse grupo alemão. Foi criado por Andrew Hates, ainda na década de oitenta. Ele era baixista do grupo de gothic rock Garden of Delight e também possui formação clássica em piano e guitarra.
Ao lançar seu primeiro disco, o “Cholymelan”, Hates traz ao mundo um darkwave muito diferente daquele que era feito por grupos como Clan of Xymox. A sonoridade era mais atmosférica e os elementos eletrônicos mais bem amarrados e mesclados com o resto da sonoridade, aliados ao seu vocal grave.
Fundador da Accession Records, que também é responsável por bandas como Diorama, Assemblage 23, Angels of Venice, Aghast View (alguns discos), Painbastard, Aesma Deva e outras bandas do segmento mais eletrônico da música.
Atualmente, com o lançamento do disco ("If)", o grupo coloca uma proposta mais próxima do metal e com mais ênfase nos instrumentos reais.
Melhores discos: Cholymelan, One of 18 Angels, Panik Manifesto.
CLAN OF XYMOX
Quando escutamos darkwave sempre vamos ter que falar desses holandeses. Até mesmo porque foram eles os responsáveis por uma sonoridade diferente daquela calcada no post-punk e da new wave. Soube usar os elementos de modernidade sem ter que mudar radicalmente o estilo.
Ronny Moorings, Pieter Nooten, e Anke Wolbert se juntaram em 1983 e, dois anos depois, lança o primeio disco autointitulado, sendo comparados ao The Cure e ao Joy Division. O grande marco deles se dá no álbum que veio depois, o Medusa, com grandes clássicos como Michele e Louise. Depois de alguns problemas, já na década de noventa eles lançam o Subsequent Pleasures, já com nítidas influencias de synthpop.
Melhores discos: Medusa, Creatures, In Love We Trust.
CHRISTIAN DEATH
Deathrock é um estilo recente dentro da cena gótica, historicamente falando. Ganha um nome e uma cena em 1998, por conta dos EUA passarem por um momento em que balada gótica era sinônimo de anos 80 e electro-alguma-coisa. Só que a sonoridade, próxima do punk, começou antes dos anos 90, com o grupo Christian Death.
Letras sarcásticas e de humor negro, sonoridade mais próxima do punk e uma atitude bem diferente das outras bandas fizeram de Rozz Williams um grande idealizador de um movimento que tentaria resgatar uma certa “pureza” no som gótico, sem a parte excessivamente eletrônica.
Existiu até mesmo uma briga entre Rozz e Valor Kand pelos direitos do nome, sendo que a banda formada por este tomou um rumo mais metal e a por aquele seguia ainda numa linha mais punk. O problema acabou em 1998 com o suicídio de Williams.
Melhores discos: Only Theatre of Pain, Catastrophe Ballet, Atrocities.
DEAD CAN DANCE
Ethereal, embora tenha muitos fãs, ainda não é um estilo muito apreciado dentro do meio gótico. Talvez isso explique o fato de termos pouquíssimas informações sobre ele e porque muitos sites e revistas colocam-no como parte do darkwave. Seja como for, sem o trabalho dessa dupla australiana certamente não existiriam bandas como Rajna, Miriabilis, Faith and the Muse e outras.
Formado por Brendan Perry e Lisa Gerrard, como um grupo que inicialmente tocava algo perto do post-punk e que gradativamente incorporou elementos de outros estilos musicais. Uma grande característica desse projeto é o uso de músicas com atmosferas sublimes, vocais “etéreos” e sonoridades que vão desde o rock até a música medieval. Seja em clássicos como “Host of Seraphim” ou mesmo a releitura de “Song of Sybil (uma música medieval catalã) e até a música sacra (como na maravilhosa Emeleia, que não tem acompanhamento instrumental, no melhor estilo de canto gregoriano).
Dizer que eles foram os inventores do ethereal é desmerecer o trabalho de pesquisa e diversidade que até hoje influencia dentro e fora da cena gótica.
Melhores discos: Within The Realm Of A Dying Sun, Into The Labyrinth, Toward The Within.
BAUHAUS
O que seria do gothic rock se o Bauhaus não tivesse existido? Certamente nem sequer teríamos a base visual e temática de muitas bandas que surgiram e ainda surgem.
Fundada em 1978 por Peter Murphy, foi quem definiu boa parte do que seria a estética da música gótica como um todo, com um visual mais sombrio e retrô, letras com temas de humor negro e sombrios, linha sonora que aproveitava o post-punk, o glam rock e a new wave e era diferente do Joy Division e do New Order.
Melhores discos: In the Flat Field, Mask, Burning From The Inside.
THE SISTERS OF MERCY
Se o grupo de Peter Murphy criou as bases, Andrew Eldritch deu a forma definitiva ao gothic rock e até mesmo a boa parte da música para góticos.
Bateria eletrônica, vocais muito graves, letras tristes e depressivas, visual carregado, todos os clichês estão nos dois primeiros discos do grupo. Depois que ser gótico passou a não ser mais algo de que se “orgulhar” e rejeitando totalmente a ideia de gravadoras, o The Sisters of Mercy passou a se distanciar musicalmente do estilo gótico, abraçando cada vez mais sonoridades que vão do metal até mesmo ao hip-hop.
Seja em que fase esteja hoje, é inegável que muitas bandas famosas, como o The 69 Eyes, Reptyle, entre outras.
Melhores discos: Floodland , The Fist and last and always, Some Girls Wander by Mistaken.
Menções honrosas de bandas que, em alguns casos, nem fazem parte da música gótica mas são igualmente importantes: The Cure, Opera Multi Steel, Love Like Blood, Poesie Noire, Death in June, Joy Division, David Bowie, Gary Numan, Pink Turns Blue.
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